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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Junho e Santo António.



Falámos de ti nas escadinhas do largo. Estavas como sempre com as flores aos pés, realçavam as alcachofras; grandes capítulos florais, fofos e lilases - que as moças da mordomia querem dar-te esses mimos. Tu, pequenino e tosco como te viram as mãos que te esculpiram, carregas o peso do calcário e das preces que te fazem. Lascado e quebrado de velhice, genuíno. Queremos-te assim, só importa a fé em ti para apaziguar os nossos medos; encontrar paz nesta espiritualidade. Estávamos então contigo, lá no largo num chão de erva-doce esmagado pelos passos que dávamos, distanciados e de máscaras no rosto. Não vistes nos nossos lábios o sorriso triste que guardávamos, e nós não trouxemos para casa os perfumes de procissão.

sábado, 21 de março de 2020

Birdwatching (9) e a paciência do confinamento.


A observação de aves tem um lado solitário em que nos conectamos com a natureza e ficamos quietos. Depois do avistamento de uma espécie, os nossos passos são lentos, os movimentos suaves. Camuflamo-nos e esperamos. Pratica-se a paciência. Ficamos confinados. Queremos a melhor captura fotográfica. 

Estabeleço aqui um certo paralelismo com o que a humanidade hoje é confrontada. Forçados a praticar essa paciência, o confinamento para a sobrevivência a esta guerra até vencer o inimigo invisível, a quem já todos chamam, o Cisne Negro. Coronavírus COVID-19.

Pato-Real (Anas platyrhynchos) fêmea

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Outubro Rosa



Rosa,
agora que é outubro.
Espalho nesta cor, flores como laços que abraçam as mulheres.
A intenção do chamamento,
do alerta.
A prevenção.


*Outubro, mês internacional de Prevenção de Cancro da Mama*

quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril - 45 anos de Liberdade



Ergo o meu cravo,
porque sou
 da liberdade
que outros conquistaram.

Obrigada.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Assim vai o Natal.



Não é por mal o "nascer" que o homem quer; as luzes e os brilhos da cidade, um bocadinho de felicidade, a alegria. A fantasia de se ser. O ter, inevitável - um pequeno aconchego do excesso, e o Menino, usado, chutado, esquecido. Sempre um turbilhão de gente, na quadra do Menino. Haverá também, a lembrança, esse despertar do propósito, o querer de uma Luz que aquece os corações. 
E assim é Natal. 
Assim vai o Natal.




terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Postal de Natal

 Texto e fotografia,Mz

Aos meus queridos bloggers, deixo a minha árvore desfocada e umas coisinhas banais; as palavras, as luzes, e a tecnologia a aquecerem-nos a alma de gente que somos aqui na blogosfera. A mensagem é que nos foquemos na essência desta quadra; uma reflexão consciente de que o bem será sempre a esperança do mundo e inicia-se sempre em cada um de nós, sem fronteiras e sem credos. 
Depois, também a magia, como se fosse uma escrita colocada nas mãos do carteiro a alcançar as lembranças dos votos, e das prosperidades antigas. Era assim para mim; tudo tão cheio de pouco e tudo tão magnífico, quando, junto com os desenhos quase infantis a evocar o nascimento, os envelopes e os postais espalhados pela mesa com as purpurinas agarradas às mãos na esperança de algo simples e tão extraordinário. Estar longe e próximo. Receber e enviar um Postal de Natal.



Feliz Natal.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Crisântemo - destino solene

Texto e fotografia,Mz




Deste Outubro castigado, onde lhe fugiu a estação, o céu não chora a chuva que lhe pertence. E na aldeia dos arrozais, do vinho e do milho, descobri as flores. As mulheres, no meio delas, recordam-me das pragas do fim do mundo. Falando baixinho para não despertar a "Besta", vão remoendo calmamente o estado apocalíptico do tempo, enquanto, delicadamente, colhem largos molhos destas flores e eu faço o registo de uma beleza traída.

Tão belos os Crisântemos, e, que destino tão solene e tão triste, por florirem em tempo de finados, aqui em Portugal. É a flor das lágrimas.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Férias Vintage


Texto e fotografia,Mz
(P. Rocha)



As férias grandes. Uso aqui este termo; férias grandes. Fazem-me lembrar outros tempos, outros Verões, aqueles em que tudo  parecia interminável. Saco de pano cheio de sandes, a manta na areia, o nevoeiro cerrado, mas maravilhoso, o sol a escaldar sem nos darmos conta, a pele enrugada de tanta água. Os jogos de cartas e o tabuleiro de areia, com pedrinhas e conchinhas se iam ganhando jogos até o sol quase se pôr. Todos os sonhos paravam ali. A eterna juventude. E retomados os sonhos, muitos anos de verões, fugimos todos para conhecer mundo, a intelectualidade deste, a história nas praças, nos monumentos, nos museus. A confusão dos aeroportos, as malas, os chapéus de turistas e mochilas carregadas de magnetes para o frigorífico, que os há em todos os países e coleccionadores também. A praia já é outra, contudo, querendo sempre a antiga, a vintage, com muito azul, muitas riscas, com mais protecção, mais cuidados, mas sempre azul, muito azul, e o repouso que o corpo pede.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Todos bem-dispostos


Texto e fotografia,Mz
(Évora)


As conversas e a arquitectura da cavaqueira que tanto bem nos faz, é uma arte espontânea, basta aparecer um ou dois interlocutores mais efusivos para se tornar uma bela noite. Nós à mesa num alarido desordenado, exteriorizando, como magia, imagens assentes nas vivências e, até alguma especulação pelo meio. O mais fervoroso a fazer-nos rir com o seu jeito fantasioso que tem de se explicar, porque da boca dele, as palavras saem como filme. E logo, a memória dos nossos pais a namorarem ao som de canções românticas dos anos 60/70 e, os nossos filhos que nem sabem metade das angústias que temos só de sabermos que já fazem sexo. Os filmes que fazemos das memórias boas e das angústias presentes, que com um copo a mais, nos levam às lágrimas de tanto riso. Depois, descemos a rua, cansados e cheios de felicidade.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Turismo industrial (1)

 Texto e fotografia,Mz


Longe da natureza, das aldeias, das vilas e das cidades, deixo-vos com um resumo fotográfico em três partes do mundo da industria dos pavimentos cerâmicos. E esta em especial, porque tive o gosto de visitar no aniversário dos 40 anos de actividade. Deslumbrou com a grandeza da sua tecnologia, design e dimensão e por isso, dou início a uma visita sobre rodas em que os motores desta dinâmica movem-se com um objectivo: o sucesso!


Revigrés, constituída em 1997com  produção de revestimentos/pavimentos em grés porcelânico está  presente em 50 países  com 280.000 m2 dos quais 140.000 m2 em área coberta,correspondentes a 44 campos de futebol.

domingo, 30 de abril de 2017

Postal e uma crónica de Abril

Texto e fotografia,Mz


É fácil plantar cravos – dizem-me as mulheres da aldeia enquanto me pedem os talos dos molhos que levei à sepultura do pai. O pai nunca foi à tropa, nunca lutou no Ultramar devido a um acidente que lhe deixou uma pequena deficiência no braço. Disseram-lhe que lhe atrasava as rajadas de metralhadora. Livrou-se da guerra. Culto e conhecedor de outras políticas, nunca se resignou à ditadura, tornando-se num outro guerreiro e, entre muitos, um dos perseguidos da PIDE - Polícia Internacional da Defesa do Estado Português à época. Frequentava as reuniões na penumbra da noite e as detenções foram acontecendo. A mãe rezava, nessas noites. Quando aconteceu o dia da libertação, a alegria foi fogo que lhe vinha da alma, como se lhe nascesse outro filho. A mãe chorava, porque não lhe saía do pensamento que tamanha conquista se poderia converter numa guerra civil. O caminho, com imperfeições fez-se com rumo e paz e eu, dou graças e festejo. Planto cravos no jardim, vermelhos como devem ser para que se alongue eternamente a memória destes que desfilaram altaneiros nos canos das espingardas em dia de revolução. A revolução que se converteu em poesia e sem haver comparação, ocorre-me que tivemos cravos e não rosas de Hiroxima.



memórias da revolução de Abril
Afectos e dúvidas




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fé sem preconceitos e boa disposição





 Texto e fotografia, Mz


Um sapateado suave em sapatos de domingo, fizeram o som de acompanhamento às Hossanas da procissão. Corria uma aragem com aroma de alecrim nos ramos colhidos dos jardins e dos quintais, ou mesmo, das beiras da estrada, umas pontinhas de oliveira. Eu assim o fiz e fui com as tias, com a minha fé plena e assumida, sem vergonha, porque na sociedade de hoje, tudo passa pelo escrutínio do preconceito. De verdade, é mais fácil ser ateu, irreligioso, ou espiritualista. E neste contexto de opções válidas ao ser humano, assinto que me faz bem acreditar numa demanda constante do mistério, que é Deus. Neste aparte, continuo esta crónica contando-vos que, depois da missa, as tias, em todos os domingos possíveis, é quase obrigatório uma paragem no salão de chá, onde se combinam caminhadas, encontros semanais e, onde também se fala dos filhos, dos netos, almoços de domingo e anedotas. Na alegria do convívio deste Domingo de Ramos, as tias não sabiam onde colocar os raminhos benzidos, se no colo, ou no chão. E nesta atabalhoada indecisão, por debaixo da mesa tocavam-me os ramalhetes nas pernas provocando-me cócegas e risos.



Afectos e dúvidas