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segunda-feira, 1 de março de 2021

Tulipas do quintal.

 





Gosto de vasos no quintal e de bolbos escondidos na terra para depois ver esta explosão de março. Outras flores virão, assim como os pássaros…

(clicar nas fotografias para melhor imagem)


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Férias Vintage


Texto e fotografia,Mz
(P. Rocha)



As férias grandes. Uso aqui este termo; férias grandes. Fazem-me lembrar outros tempos, outros Verões, aqueles em que tudo  parecia interminável. Saco de pano cheio de sandes, a manta na areia, o nevoeiro cerrado, mas maravilhoso, o sol a escaldar sem nos darmos conta, a pele enrugada de tanta água. Os jogos de cartas e o tabuleiro de areia, com pedrinhas e conchinhas se iam ganhando jogos até o sol quase se pôr. Todos os sonhos paravam ali. A eterna juventude. E retomados os sonhos, muitos anos de verões, fugimos todos para conhecer mundo, a intelectualidade deste, a história nas praças, nos monumentos, nos museus. A confusão dos aeroportos, as malas, os chapéus de turistas e mochilas carregadas de magnetes para o frigorífico, que os há em todos os países e coleccionadores também. A praia já é outra, contudo, querendo sempre a antiga, a vintage, com muito azul, muitas riscas, com mais protecção, mais cuidados, mas sempre azul, muito azul, e o repouso que o corpo pede.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Todos bem-dispostos


Texto e fotografia,Mz
(Évora)


As conversas e a arquitectura da cavaqueira que tanto bem nos faz, é uma arte espontânea, basta aparecer um ou dois interlocutores mais efusivos para se tornar uma bela noite. Nós à mesa num alarido desordenado, exteriorizando, como magia, imagens assentes nas vivências e, até alguma especulação pelo meio. O mais fervoroso a fazer-nos rir com o seu jeito fantasioso que tem de se explicar, porque da boca dele, as palavras saem como filme. E logo, a memória dos nossos pais a namorarem ao som de canções românticas dos anos 60/70 e, os nossos filhos que nem sabem metade das angústias que temos só de sabermos que já fazem sexo. Os filmes que fazemos das memórias boas e das angústias presentes, que com um copo a mais, nos levam às lágrimas de tanto riso. Depois, descemos a rua, cansados e cheios de felicidade.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Água lisa ao balcão

Texto e fotografia,Mz




Choveu e limpou o pátio. Ontem pedi que a chuva viesse sem mentira; que  tolice minha, porque a chuva não endromina, e endrominar é um acto de consciência moral que apenas o ser humano possui. A chuva não engana, é um fenómeno da troposfera e, ainda que, a probabilidade de cair chuva seja certa, pode não chegar aqui. São maravilhas, que da ânsia humana, se transformam no paradoxo do querer tudo quando bem queremos, do “sol na eira e chuva no nabal” por isso, não creio que o meu pedido seja atendido como quem pede água fresca, só porque apetece um refresco sem calorias. Água lisa. Mas a chuva veio e parece tudo mais limpo, tudo mais calmo, não se ouve um corvejar, acho até que os corvos, esses gananciosos, esgrouviados ainda estão recolhidos. Aqui, na minha cozinha, neste meu balcão de desejos, partilho esta voz e as rosas mais maravilhosas do quintal que me deslumbraram ontem ao chegar e, também uma estranha contradição de um sentimento egoísta de privar a chuva de as tocar.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Basílica da Santíssima Trindade

Texto e fotografia,Mz




Numa escala física e espiritual
Emocionei-me com a grandeza da arte,
Perdi-me na imensidão da arquitectura,
Maravilhei-me com o silêncio.






(memórias de Fátima, longe das multidões)

domingo, 30 de abril de 2017

Postal e uma crónica de Abril

Texto e fotografia,Mz


É fácil plantar cravos – dizem-me as mulheres da aldeia enquanto me pedem os talos dos molhos que levei à sepultura do pai. O pai nunca foi à tropa, nunca lutou no Ultramar devido a um acidente que lhe deixou uma pequena deficiência no braço. Disseram-lhe que lhe atrasava as rajadas de metralhadora. Livrou-se da guerra. Culto e conhecedor de outras políticas, nunca se resignou à ditadura, tornando-se num outro guerreiro e, entre muitos, um dos perseguidos da PIDE - Polícia Internacional da Defesa do Estado Português à época. Frequentava as reuniões na penumbra da noite e as detenções foram acontecendo. A mãe rezava, nessas noites. Quando aconteceu o dia da libertação, a alegria foi fogo que lhe vinha da alma, como se lhe nascesse outro filho. A mãe chorava, porque não lhe saía do pensamento que tamanha conquista se poderia converter numa guerra civil. O caminho, com imperfeições fez-se com rumo e paz e eu, dou graças e festejo. Planto cravos no jardim, vermelhos como devem ser para que se alongue eternamente a memória destes que desfilaram altaneiros nos canos das espingardas em dia de revolução. A revolução que se converteu em poesia e sem haver comparação, ocorre-me que tivemos cravos e não rosas de Hiroxima.



memórias da revolução de Abril
Afectos e dúvidas




sábado, 22 de abril de 2017

Sob o signo de Carneiro



 Texto e fotografia,Mz



É um blogue sob o signo de carneiro. E foi ao fotografar estas simpatias muito curiosas e fotogénicas que me recordei desta deixa, para dar o mote de entrada a este post, ainda em mês de aniversário. Não contrariando o Zodíaco, eu, que dou vida a este espaço, continuarei teimosa nesta presença e entusiasmada numa espécie de aluvião de palavras e imagens. Afectos de um quotidiano simples que fazem parte da minha vida.






                                                                       Afectos e dúvidas



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Oito anos de blogue

Texto e fotografia,Mz



Ainda se oferecem flores para festejar e, espero que nunca se perca esta delicada senda. Basta uma. Esta é uma rosa lilás que se partiu enquanto eu atravessava o quintal e, colocada no solitário aqui mesmo na janela da cozinha, o mesmo lugar onde estou a escrever, ganha uma espécie de sofisticação como se estivesse num hotel de 5 estrelas. A verdadeira magia da escrita e da imagem numa capacidade única de podermos contextualizar em exclusividade. Hoje já não oiço o mar nem as gaivotas como no primeiro ano e outros que se seguiram desde que este menino nasceu. Agora é a passarada inquieta, a floresta, o jardim e outros olhares, a mesma natureza, mas outros cheiros e outros tons. É o sentir de outras texturas e, sempre o mesmo afecto e a dúvida constante nas palavras que se soltam fácil em crónicas simples, por vezes gramaticalmente imperfeitas. 

Esta rosa, numa modesta intenção de festejo é como um parágrafo perfeito, e é para vocês que têm a gentileza de me visitar.




Afectos e dúvidas




Obrigada a todos os que passam por aqui. Aos primeiros, aos mais antigos, aos esporádicos, aos últimos, aos que me inspiram, aos que me referenciam. A todos. Obrigada. Eu, Afectos e Dúvidas, por cá continuarei.






segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fé sem preconceitos e boa disposição





 Texto e fotografia, Mz


Um sapateado suave em sapatos de domingo, fizeram o som de acompanhamento às Hossanas da procissão. Corria uma aragem com aroma de alecrim nos ramos colhidos dos jardins e dos quintais, ou mesmo, das beiras da estrada, umas pontinhas de oliveira. Eu assim o fiz e fui com as tias, com a minha fé plena e assumida, sem vergonha, porque na sociedade de hoje, tudo passa pelo escrutínio do preconceito. De verdade, é mais fácil ser ateu, irreligioso, ou espiritualista. E neste contexto de opções válidas ao ser humano, assinto que me faz bem acreditar numa demanda constante do mistério, que é Deus. Neste aparte, continuo esta crónica contando-vos que, depois da missa, as tias, em todos os domingos possíveis, é quase obrigatório uma paragem no salão de chá, onde se combinam caminhadas, encontros semanais e, onde também se fala dos filhos, dos netos, almoços de domingo e anedotas. Na alegria do convívio deste Domingo de Ramos, as tias não sabiam onde colocar os raminhos benzidos, se no colo, ou no chão. E nesta atabalhoada indecisão, por debaixo da mesa tocavam-me os ramalhetes nas pernas provocando-me cócegas e risos.



Afectos e dúvidas