Falámos de ti nas escadinhas do largo. Estavas como sempre
com as flores aos pés, realçavam as alcachofras; grandes capítulos florais,
fofos e lilases - que as moças da mordomia querem dar-te esses mimos. Tu,
pequenino e tosco como te viram as mãos que te esculpiram, carregas o peso do
calcário e das preces que te fazem. Lascado e quebrado de velhice, genuíno. Queremos-te
assim, só importa a fé em ti para apaziguar os nossos medos; encontrar paz
nesta espiritualidade. Estávamos então contigo, lá no largo num chão de
erva-doce esmagado pelos passos que dávamos, distanciados e de máscaras no
rosto. Não vistes nos nossos lábios o sorriso triste que guardávamos, e nós não
trouxemos para casa os perfumes de procissão.
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quinta-feira, 18 de junho de 2020
quinta-feira, 11 de junho de 2020
Cerejas e cadilhos de vida.
As cerejas deste ano
comem-se em toalha de luto, eu sinto-lhe um vermelho negro na sua doce acidez. As
cerejas deste ano, são arrecadas pesadas, pingentes retorcidos, rendilhados
antigos com meneio de fado. Comem-se. Comem-se cerejas de boca cerrada enquanto
se murmuram cadilhos de vida.
quinta-feira, 7 de junho de 2018
Tanta Asa nesse Voo.
Texto e fotografia,mz
Traçando o céu, um voo de bando livre
Airosas, rasgando o vento frio deste Junho,
Tanta asa, tanta asa nesse voo.
Serenas de peito branco, como brancas as espumas,
E na soltura da vaga, tanto mar, tanto frio deste Junho.
Tanta asa, tanta asa nesse voo.
No chão de areia, a
macieza, o repouso,
Sobejo de sal como se
fosse colo, como se fosse casa.
Desaparece assim, asinha,
este frio mês de Junho.
Tanta asa, tanta asa
nesse voo.
Etiquetas:
Em tom de poesia,
fotografia,
primavera fria
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