quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Olhar as flores.


Regressamos de olhar esfalfado de tanto ver os sítios dos outros. Pedaços de mundo. São uma canseira, esses caminhos que escolhemos. Agora, na beira das escadas, serenamos a olhar as flores.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Conversas íntimas.



Como se entendêssemos os bichos, diríamos que têm conversas íntimas. 
Que se entendem com o olhar. 
Como se entendêssemos os bichos,  
juramos ver, 
que contam histórias para adormecer.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Suspende-se o tempo.




Seca e areada, pisamos terra como quem trinca açúcar com os dentes. As sensações e os sons do campo são infindáveis; naturais e mecânicos. Arredamos o milho alto como se fossem cortinas ásperas, e temos a nossa janela.  Suspende-se o tempo para o exposto que aqui deixo. 




terça-feira, 6 de agosto de 2019

Regresso de férias!




É o sossego uma aguarela de mar calmo
Como se fosse sangue de paz a bombear
macieza no coração.




quinta-feira, 25 de julho de 2019

Um alvo na terra




Trago pessoas no nevoeiro e nas asinhas de gaivota. 
Trago areias brancas e um vento norte, uma neblina colhida esta manhã. 
Um mar amado, um alvo na terra. 
Trago sorriso que baste ao voltar aqui.


terça-feira, 25 de junho de 2019

Lá pelo campo.




Lá pelo campo,  
Quiçá ser chão silvestre,
Ser rebelde
Ser ciclo fértil sem regra 
E ser enredo perfeito.
Lá pelo campo
Olhamos as flores e falamos desta complexidade.



terça-feira, 18 de junho de 2019

Lua cheia de Junho.



Cheios de festa e de palatos a saber a gula, 
por um acaso olhámos o céu sem nos lembrarmos da lua. 
O drama no espaço, e ela poisada. 
Um desassossego nas nuvens, e ela serena. 


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Recortes ao pôr-do-sol.


Não importa o lugar do mundo onde estejamos quando a beleza do pôr-do-sol
 se apresenta inquestionavelmente sublime.


domingo, 9 de junho de 2019

Birdwatching (6)





As pegadas a soltarem o pó do chão de uma terra solta em caminho mal-ajeitado. Tapo-me como uma mulher Berbere; lenços enormes enrolados na cabeça e no pescoço. Castanhos, verdes mesclados, ou chapéus que dificultam a visão periférica. Fui na ânsia de fotografar, e valeu todo o caminho percorrido. Nas margens verdes do carreiro, voavam por lá, poisando bem distintos, os coloridos Cartaxos machos. Uns, são o espelho dos outros. Perfeitos.



Cartaxo-comum (Saxicola rubicola)
Em observação de aves, com a credibilidade do Portal das Aves de Portugal


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Receita aviada e o regresso aqui.



Deixei a minha casa sol. Guardei as cadeiras de fora, as mantas de xadrez, e o espanta-espíritos foi para a gaveta silenciar os sons do vento. Tranquei portas e janelas, e as chaves foram entregues até que regresse com nova receita nas mãos e a direção do sítio onde se aviam remédios que serenam inquietudes.


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Amarelo, casa sol.



Não estrangulem o amarelo
Deixem-no livre
Como casa sol.
Um riso de conforto
Onde as sombras
São ameias
Do castelo que eu quero.




sexta-feira, 10 de maio de 2019

Conversas de Maio e filmes do tempo.



Falámos da monotonia de um céu azul liso, e de como as nuvens acabam por nos agitar o modo de olhar o dia.  
Uma chuvinha miúda e um vento jeitoso que abana tudo o que é razoavelmente leve e frágil, provoca-nos. É um fervilhar no corpo, um frenesim que nos arrasta para fora de casa. E neste arrastar, uma fita de cinema de cenas verdes em cartaz, com entrada livre para todas as idades. Em intervalos aleatórios, bebe-se água da chuva em gota.


quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril - 45 anos de Liberdade



Ergo o meu cravo,
porque sou
 da liberdade
que outros conquistaram.

Obrigada.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Páscoa e pecados da gula




Depois de limpas as almas, emergem os corpos virgens e primaveris numa sede imensa de sermos, novamente humanos. Não queremos ser puros por muito tempo. E corremos para casa silenciosos, com a cabeça a rebentar de tentações, já impuros. Porque queremos ser como o silêncio do campo. Um silêncio mentiroso; cheio de burburinhos de bichos, e roçar de ervas ao comando do vento. Tão bom, tão verdadeiro. Queremos ser assim, como este silêncio do campo,  gritar verdades, sussurrar coisas terrenas e plantar corações no nosso pecado. 

 scoa de silêncios barulhentos e pecados da gula 
uma forma saudável de convívio para quem gosta de chocolate e bolo feito em casa - também tivemos coelhinhos e amêndoas de todas as cores

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Fico nesta luz




Escrevo nesta luz, a caneta a falhar-me no papel, e na chatice, solto palavras brutas. As coisas a falharem-me quando necessito. E depois o arrependimento, porque aqui sinto paz. O coração acalma. Fico a olhar, as glicínias, serpentinas roxas a soltarem-se nas festas do Senhor - na morte, na paixão - e não sei o que dizer neste tempo sério, e de riso. Fico nesta luz, apenas.


Para todos, uma Páscoa de reflexão, 
de encontros reconciliadores
 e de paz.




domingo, 14 de abril de 2019

10 anos de blogue


Vamos sentar-nos aqui. 

Partilhar o momento com flores, frutos e o que a imaginação vos aprouver numa chávena de chá. 
Vamos, vamos sentar-nos aqui, e misturar os sabores e as cores, servir num copo terra, todas as palavras. 

Fantasia e sementes. 
As escritas, e as fotografias, têm de mim os anos e todas as estações amarradas aos dias. 
Vou ficar por aqui, nesta minha terra de folhas brancas.  



Obrigada a todos os que passam por aqui. Aos primeiros, aos mais antigos, aos esporádicos, aos últimos, aos que me inspiram, aos que me referenciam.
 A todos. Obrigada. Eu Afetos e Dúvidas, por cá continuarei.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Porcel - fazer "turismo industrial" (2)



Da essência da terra
a desagregação das rochas.
E da brutalidade
ver nascer a delicadeza das coisas. 







maravilhada com esta visita guiada à empresa de porcelanas 
*Porcel*
mais informação

AQUI




segunda-feira, 8 de abril de 2019

Eu tenho o sol.



E do quase nada, desta pouca luz, o sol deu-me isto. Estas arvores cinzentas e um silêncio absoluto. Uma niquice de luz, mas eu tenho o sol. Tenho esta quietude de madrugadas negras, e brancos encardidos, mas limpos. E não me perguntem como são as águas, porque vejo só o que quero.