quinta-feira, 31 de maio de 2018

Legados que não têm preço, são heranças de amor.

Texto e fotografia,mz



As mini rosas e a máquina fotográfica vintage que agora estão comigo, têm aqui o propósito das recordações. E na mala grande, álbuns com a vida lá dentro: a salinha de estar com a jarra de rosinhas salmão por cima do naperon de crochet e a tia com os rolos no cabelo e a lata de laca sunsilk a armarem-lhe o cabelo todos os dias. Os casamentos de mesas corridas, os bolos brancos de noiva de andares quase até à lua; como eram grossas as alianças! Viagens à europa de roulotte, as minissaias, e fatos de banho com copas de espuma. O pai a tirar fotografias às estrangeiras de biquíni. Outras, com as golas altas e as gangas, calças de boca-de-sino, as gravatas grossas e sapatos de plataforma. A guerra fria nas conversas e os  piqueniques de salada russa, o eterno abre latas para  as latas de pêssego em calda. As poses e os sorrisos, e os ares carrancudos sem hipótese de repetição. Os cliques da máquina fotográfica e as revelações.
A máquina não tem rolo há anos, mas as roseiras encostadas aos muros prometem testemunhar ainda, muitas memórias de Maio. É uma herança de amor.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Quando se revelam as cores dos pássaros.

Texto e fotografia,mz


Maio em exaltação quando se revelam as cores dos pássaros, a graça das poses e a delicadeza dos bicos que também aguilhoam. Um aguilhoar natural, sem as políticas do homem. São pássaros em sobrevivência. São pássaros. Como eles, apenas o seremos na poesia. São nossos bicos, as bocas que adoçam e que lançam o fel da guerra, nas palavras que delas saem. Somos homens, não somos pássaros.





terça-feira, 22 de maio de 2018

No regresso a casa

 
Texto e fotografia,mz


No regresso, parece que tudo cresceu imenso. Tudo está maior. Cresce também a sensação da dúvida. Será só para mim, ou também para quem planta coisas em qualquer lado, nem que seja num pote insignificante; um garrafão reciclado onde crescem morangueiros? Nesta ilusão, do crescimento agigantado, as malas ainda estão no canto do quarto por desmanchar desde o dia em que chegámos. Está tudo guardado e assim pode ficar até que mate saudades das flores e do quintal das laranjeiras, onde me sento com caderno e caneta e decido aumentar ainda mais o que vejo. A serra ficou lá longe onde guarda as cascatas, as montanhas agrestes e o verde que em breve desmaiará.



sábado, 19 de maio de 2018

Misarela - a ponte da fertilidade ou do diabo



 
 
Texto e fotografia,mz


Aqui, em dias de sol intenso, nada bom para fotografar no caminho estreito e a poeira que se levanta nas passadas, o medo é das escarpas e do acesso difícil para chegar. Ter esta visão de verde luxuriante, da ponte medieval, do som do Rabagão que se solta livre, puro e fresco, e depois, o som dos pássaros. A surpresa do 'Dom-fafe' que se deixou fotografar. Maravilhoso. Aqui não mora o diabo, ou então, será que nos engana com tanta beleza?



Talvez seja de noite ou em dias de tempestades que se sinta a força das lendas e o temor de um sítio medonho. Do criminoso que se vendeu ao diabo para se salvar da força das águas e a alma por uma ponte. E assim diz a lenda.




arquitectura - Idade Média

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