domingo, 30 de abril de 2017

Postal e uma crónica de Abril

Texto e fotografia,Mz


É fácil plantar cravos – dizem-me as mulheres da aldeia enquanto me pedem os talos dos molhos que levei à sepultura do pai. O pai nunca foi à tropa, nunca lutou no Ultramar devido a um acidente que lhe deixou uma pequena deficiência no braço. Disseram-lhe que lhe atrasava as rajadas de metralhadora. Livrou-se da guerra. Culto e conhecedor de outras políticas, nunca se resignou à ditadura, tornando-se num outro guerreiro e, entre muitos, um dos perseguidos da PIDE - Polícia Internacional da Defesa do Estado Português à época. Frequentava as reuniões na penumbra da noite e as detenções foram acontecendo. A mãe rezava, nessas noites. Quando aconteceu o dia da libertação, a alegria foi fogo que lhe vinha da alma, como se lhe nascesse outro filho. A mãe chorava, porque não lhe saía do pensamento que tamanha conquista se poderia converter numa guerra civil. O caminho, com imperfeições fez-se com rumo e paz e eu, dou graças e festejo. Planto cravos no jardim, vermelhos como devem ser para que se alongue eternamente a memória destes que desfilaram altaneiros nos canos das espingardas em dia de revolução. A revolução que se converteu em poesia e sem haver comparação, ocorre-me que tivemos cravos e não rosas de Hiroxima.



memórias da revolução de Abril
Afectos e dúvidas




sábado, 22 de abril de 2017

Sob o signo de Carneiro

Texto e fotografia,Mz



É um blogue sob o signo de carneiro. E foi ao fotografar estas simpatias muito curiosas e fotogénicas que me recordei desta deixa, para dar o mote de entrada a este post, ainda em mês de aniversário. Não contrariando o Zodíaco, eu, que dou vida a este espaço, continuarei teimosa nesta presença e entusiasmada numa espécie de aluvião de palavras e imagens. Afectos de um quotidiano simples que fazem parte da minha vida.






                                                                       Afectos e dúvidas



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Oito anos de blogue


Texto e fotografia,Mz


Ainda se oferecem flores para festejar e, espero que nunca se perca esta delicada senda. Basta uma. Esta é uma rosa lilás que se partiu enquanto eu atravessava o quintal e, colocada no solitário aqui mesmo na janela da cozinha, o mesmo lugar onde estou a escrever, ganha uma espécie de sofisticação como se estivesse num hotel de 5 estrelas. A verdadeira magia da escrita e da imagem numa capacidade única de podermos contextualizar em exclusividade. Hoje já não oiço o mar nem as gaivotas como no primeiro ano e outros que se seguiram desde que este menino nasceu. Agora é a passarada inquieta, a floresta, o jardim e outros olhares, a mesma natureza, mas outros cheiros e outros tons. É o sentir de outras texturas e, sempre o mesmo afecto e a dúvida constante nas palavras que se soltam fácil em crónicas simples, por vezes gramaticalmente imperfeitas. 

Esta rosa, numa modesta intenção de festejo é como um parágrafo perfeito, e é para vocês que têm a gentileza de me visitar.




Afectos e dúvidas




Obrigada a todos os que passam por aqui. Aos primeiros, aos mais antigos, aos esporádicos, aos últimos, aos que me inspiram, aos que me referenciam. A todos. Obrigada. Eu, Afectos e Dúvidas, por cá continuarei.






segunda-feira, 17 de abril de 2017

Doces de Páscoa numa rivalidade entre as tias e eu.






Texto e fotografia, Mz


Arregalaram os olhos quando à mesa chegou por minhas mãos o tradicional pão-de-ló, receita delas, das tias, mas com uma decoração que nunca lhes tinha passado pela cabeça. Ensinaram-me tudo; a amassar, a envolver e, entre outros segredos, um dia falaram-me por alto, das pétalas de rosa cristalizadas que eram guardadas para comer como rebuçados nos tempos de antigamente, quando nem ainda se falava dos caramelos espanhóis. Esquecidas pelo tempo, exclamaram “ós” de espanto ao verem as delicadeza adormecidas na memória. Depois, a Pavlova este doce e delicado estrangeiro que andavam desejosas por provar, como se fosse um rapaz namoradeiro nos tempos de juventude. Aliviaram a gula dos doces e do queijo da serra com as frescas laranjas fatiadas em calda de açúcar e rum, sendo também uma novidade, diziam ser muito chique. E porque também eu tenho sempre algo para lhes ensinar, levaram para casa esta receita e as amêndoas na carteirinha de mão.
Afectos e dúvidas


domingo, 16 de abril de 2017

Flor de Marmeleiro e um bom domingo de Páscoa




Texto e fotografia, Mz


Dizem que este é, o Domingo de todos os domingos. 
Pois que se reinicie a esperança para quem acha que já não vale a pena um esforço que seja, para melhorar algo que, parece não ter volta. Que se cumpra uma espécie de ressurreição, em cada um de nós por todas as coisas que pensamos "mortas".

Um Viva à Vida!

Feliz Domingo de Páscoa




Afectos e dúvidas


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fé sem preconceitos e boa disposição





 Texto e fotografia, Mz


Um sapateado suave em sapatos de domingo, fizeram o som de acompanhamento às Hossanas da procissão. Corria uma aragem com aroma de alecrim nos ramos colhidos dos jardins e dos quintais, ou mesmo, das beiras da estrada, umas pontinhas de oliveira. Eu assim o fiz e fui com as tias, com a minha fé plena e assumida, sem vergonha, porque na sociedade de hoje, tudo passa pelo escrutínio do preconceito. De verdade, é mais fácil ser ateu, irreligioso, ou espiritualista. E neste contexto de opções válidas ao ser humano, assinto que me faz bem acreditar numa demanda constante do mistério, que é Deus. Neste aparte, continuo esta crónica contando-vos que, depois da missa, as tias, em todos os domingos possíveis, é quase obrigatório uma paragem no salão de chá, onde se combinam caminhadas, encontros semanais e, onde também se fala dos filhos, dos netos, almoços de domingo e anedotas. Na alegria do convívio deste Domingo de Ramos, as tias não sabiam onde colocar os raminhos benzidos, se no colo, ou no chão. E nesta atabalhoada indecisão, por debaixo da mesa tocavam-me os ramalhetes nas pernas provocando-me cócegas e risos.



Afectos e dúvidas

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Passeios na floresta, mesmo ao pé de casa.








Texto e fotografia, Mz


Não esquecendo os arrozais, ao sul*, já vos contei das janelas viradas a norte* com a floresta a perder de vista. A perder de vista, digo eu, que quero que pareça assim, cenário idílico do que gosto, não passando pois, de um exagero ou ilusão, porque, a estrada é já a uns pequenos quilómetros. Mas se  não o sentisse assim, não o escreveria e, temos então aqui, uma floresta a perder de vista aos meus olhos e, à vossa imaginação. Ontem, foi o verde* deste Abril Primavera, seleccionado a propósito com tudo a rebentar de vida, hoje, os castanhos que parecem ter congelado o Outono. Pinhas, ouriços de castanheiro, um rolo de árvore cortada, cartucho de caça e, supostamente vida na teia. São os passeios com as tias, aqui na aldeia.






Afectos e dúvidas

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pequeno trilho verde da floresta - Portugal






Texto e fotografia, Mz


A nossa floresta está assim neste mês de Abril, 
e eu acho-a linda.





Afectos e dúvidas