Mostrar mensagens com a etiqueta mundo rural. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mundo rural. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de abril de 2018

Postal de Abril e esta curiosidade maravilhosa.

Texto e fotografia,mz



O irresistível chamamento da curiosidade é o que me ocorre. 
Vê-me. O olhar primeiro não lhe basta, e surge então esta visão dupla. A impressão de um segundo olhar, mais fixo, mais intenso. Parece-me tudo mais. Os olhos mais próximos, as orelhas mais abertas e o corpo por inteiro, maior. Um corpo em desequilíbrio com o monte a fugir-lhe, sem chão, e só o céu a compensar a pose estática como uma antena de precisão. Que mensagem transportará ao cérebro? Tudo o que eu prevaricar sobre o que cogita o ovino nestes verdes prados, é inocente e não passa do meu parecer a esta expressão maravilhosa.





sábado, 18 de novembro de 2017

Os cães e uma liberdade quase primitiva.

 
Texto e fotografia,Mz





Tem dias que se passeiam como se tudo fosse deles. Tomam conta da estrada, da terra, das coisas do homem. Sem perderem a afabilidade, ainda caçam roubando galinheiros de ferrolhos frágeis ou, de cancelas velhas a donos descuidados. São os cães. Principalmente os cães. Fotografei-os de manhã cedo com este sol dourado de Novembro, e depois, ao final da tarde, com o mesmo sol, contudo, quase morto. Ocorre-me que a brutalidade de ser comido por outros bichos, é um pensamento de uma bestialidade que nos fere a sensibilidade. Aqui na aldeia, é tudo mais bruto, mais bravo e transigente. Uma liberdade primitiva com a mais-valia de se poder dormir num telheiro quente até à noite, de trazer as patas sujas para o pátio de casa, e depois, receber afagos e mimos sem a repreensão dos donos.






terça-feira, 14 de novembro de 2017

Presa aos bichos.

Texto e fotografia,Mz



Estou presa aos bichos, ou melhor, fascinada com as poses, com as cores e, acima de tudo com os pormenores de que são feitos – a beleza do detalhe. Acautelei-me com o Sr. Carneiro e a sua esposa – Ovelha, que se deixaram fotografar, mas, sempre de olhar fixo e intimidativo. Os bichos domésticos às vezes são perigosos. Estão lá em baixo, naquele lugar de sol e sombra, naquela luz magnífica de outono, que já vos falei anteriormente, aqui . Lamentamos a falta de chuva que enquanto não chega, fruímos já do frio das manhãs e entardeceres. Tudo o que o sol faz emergir da terra, fumega como se cozinhasse a aldeia, por vezes, um vento que arrasta folhas e a calmaria da terra, pó molhado de orvalho. Depois, os alvoroços das aves de capoeira que parecem umas tontas, umas cabeças no ar cheias de nervos que ao mais pequeno barulho, movem-se impacientes levantando as asas, e, as penas que já se lhes desprenderam.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Colheita do arroz

Texto e fotografia,Mz


Para finalizar Setembro, um pouco do rural onde se esconde este mundo dos arrozais.Calçamos as galochas altas, chapéu de aba larga na cabeça e descemos o campo. Os pântanos, são agora terra seca, sulcada e dividida como torrões ocultando outra terra. Nada parece ser assim, quando os olhos veem o todo. Contei-vos aqui, que o verde fresco iria transformar-se e, aqui está agora; palha, pastel, caramelo, verdes secos e uns toques de laranja. Trago-vos uma espiga sobrante para poderem ver onde se aloja o grão – a sua casa. E o que eu gosto mesmo, é do seu testemunho maduro. Apanham-se os grãos e, com as mãos em conchinha, chocalhamos, fechamos os olhos e a magia acontece: um som lindo de sinos suaves. Inexplicável.

sábado, 2 de setembro de 2017

Setembro na aldeia

Texto e fotografia,Mz



Este Setembro, se não vos trouxer Cegonhas, é porque não sei onde elas andam, vadiam os filhos crescidos e os voos, são agora mais demorados. Na delonga de uns, permanecem outros. São as Garças. Brancas, tão brancas como lençóis franzidos de renda antiga no abrir das suas asas. E, sem pedir licença, arredando todo este verde que nos salva, despontem um olhar alado no caiado da igreja, na arquitetura das gentes. Trinquem os bagos de uva, espantem o pardal da espiga e sintam-se em casa neste meu canto, quadros da minha aldeia.