As primeiras rosas do quintal e os romances de sempre, trazem
memórias das tias. Agora velhinhas e confinadas nas suas casas, dizem que têm olhos
de lágrimas sempre que olham nas paredes, os retratos de família. A saudade. A saudade
e o medo de voltar a sair e de não conseguirem caminhar direito pelas ruas com
os seus sapatos de saltinho.
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domingo, 10 de maio de 2020
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Fé
Vi a minha mãe a rezar à janela. Lia uma oração, e beijava as
letras da mesma forma que beija os filhos. Lia e beijava, lia e beijava. Nos
intervalos, amaciava o peito e lia, e beijava… lia, e beijava. Da janela, árvores, mas aos seus olhos, fé. Vi a minha mãe a rezar à janela.
Piódão, aldeias de xisto - Portugal
Piódão, aldeias de xisto - Portugal
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
O nascer do sol e um Feliz Ano 2020!
Enquanto quase todos ainda dormiam, descemos nós, o Vale, sussurrando
inconscientemente, como se o Sol necessitasse de silêncio para acordar por si –
sem sobressalto. Apressámos a caminhada dentro da neblina para festejar a vida,
e partilhar o nascimento da luz. E é neste registo que vos trago o nascer do
sol do dia de hoje, e também, para vos dar as boas vindas ao novo ano.
Que esta
claridade tão suave e tão ténue nos serene todos os dias.
Feliz Ano 2020!
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Um bocadinho de época e desejo de Boas festas.
Nos intervalos da chuva as vizinhas trocam hortaliças por
tangerinas e ovos por nozes. Está tudo fresco, verde, arrebitado, e é de época.
Já não se cortam pinheirinhos para levar para casa, mas nos caminhos da aldeia,
as senhoras são hábeis nas suas bicicletas, e são fartas as ramadas de azevinho
e cedro que equilibram nos cestos de vime dos seus transportes.
Este ano, o blogue
faz esta partilha da aldeia, das coisas simples que aproximam as pessoas, e
uma fotografia cá de casa, desejando que todo este brilho se materialize na Estrela-guia e me indique o verdadeiro caminho do Natal.
A todos um feliz Natal. Boas Festas.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Antes que chegue o Inverno.
Agarra-se o Outono às cores fortes,
aos laranjas dos
pássaros
e dos frutos.
Dos chãos surpreendentes.
É todo um brotar colorido,
antes
que chegue o inverno.
sábado, 8 de setembro de 2018
Conversas de Setembro
Dizem-me as tias:
- Parece tudo baralhado, pois que estranheza poderá haver se
troveja em Setembro? Que estranheza haverá se são pequenas as maçãs do quintal;
estas bem portuguesas - Casanova de Alcobaça - sumarentas e agridoces, e as nossas, até com bicho?
Pois paciência! Trovoadas, maçãs e flores a expirar; estão no tempo certo. Aproveita
este sol com brilho de pôr-do-sol, porque depois vai chover.
Fiz um arranjo de flores e arrumei as maçãs - fotografei, e
depois choveu.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
O banho da Rola
Texto e fotografia,mz
- Como é que disse?
- Sim. O banho da rola, que não entendo nada de aves! Um chuveirinho
de chuva para limpar o pó das penas, um asseio de ave que até parece ter a cor de
um céu de Inverno. O melhor, é não tirar o colar, para que o céu saiba que não
é cinza de nuvem e, não se confunda esta ilusória cor da rola, com este dia de
chuva. O último do mês, porque, amanhã já se foi, e vai-se assim, até sem lua
cheia, este mês tão pequenino.
aves de Portugal
aves de Portugal
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Esta luz.
Texto e fotografia,Mz
- As maçãs tardias continuam a cair; pois que caiam livres!
Havemos de regressar
ao chão, à exalação da terra e às coisas que pisamos quando andamos pela
ruralidade dos caminhos. Agora que o sol voltou num entremeio de outono, é
obrigatório mostrar-vos outras coisas; esta luz, este tom de verde e azul tão próprio
dos lugares envelhecidos que o sol e a sombra nos oferecem.
- Não é lindo?
Com um pouco de fantasia partilho a mesa - toalhas de musgo,
uma mão cheia de alfazema, umas quantas nozes apanhadas do chão e o abandono
a uma merenda simples. Assim, sem mais nada na companhia de outros bichos.
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domingo, 15 de outubro de 2017
Moram na casa dos vizinhos
Texto e fotografia,Mz
Para além de todos os bichos peregrinos que param aqui de
vez em quando, e que se deixam fotografar perpetuando assim o testemunho da sua
passagem, existem os outros. Os residentes. São dos meus vizinhos, moram na
minha rua e hoje, apresento-os aqui.
Os gansos são como cães de guarda e não
existe suborno que os ludibrie. Atiram-se às nossas pernas como cães do outro
mundo, um imaginário bicho enganoso com asas e sem dentes. É o Laranjinha. Mas
digo-vos que, escutar o seu grasnar em dias de silêncio, é sem dúvida, o momento
mais bucólico da aldeia. Adoro. O Chico é pachorrento, e as suas passadas lentas
combinam com o latido arrastado. Um doce orelhudo. Depois a Duquesa, gata sedutora
- ora astuta, ora lânguida - uma espia de ratos do campo - ora assassina, ora uma ternura -
confirmo que é uma gata de vida dupla.
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domingo, 1 de outubro de 2017
Abelhas de mel no jardim
Texto e fotografia,Mz
Eu tenho flores.
Nasce assim uma simbiose com a biodiversidade onde a
recompensa é uma soma apaixonante apenas porque gostamos deste mundo. E gostar,
é mesmo amar o que nos pode salvar a vida. Da sacada a poente, ao fim do dia, uma
língua de floresta afogueada e um pôr do sol tão poderoso que o verde se torna
inflamado, abraseado. Cá dentro, onde o gradeamento nos divide do caminho de
todos, tudo se ilumina por instantes e temos então em corredor, uma fila de alfazemas com as flores de um roxo ainda mais intenso. Ao fundo, os malmequeres mais amarelos,
mais luminosos e as lantanas, mais coloridas. Tudo serve de poiso aos insectos que
entre as flores, e o alimento, desconfio do namoro, porque nunca sabemos ao
certo, se não serão também, alguns beijos.
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