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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Último dia do ano.

 


Na mesa, uma toalha de recortes com todas as fotografias que nos cabem no coração. Desfiamos um rosário de máscaras, benzemo-nos em antissético e, rogamos calor de abraços e de beijos inocentes.  Suplicamos pela vida, imploramos os laços de sangue. Ano de cruz. Lá fora, a última lua cheia da década, o último dia do ano e, os amigos que não entram em casa. Prisioneiros e famintos, somos como lobos em matilha num dia frio de profundo inverno. Acendemos as velas, olhamos fixos a chama como se fosse verão e, acreditamos que não estamos sós.


(clica na fotografia para melhor imagem)


segunda-feira, 9 de março de 2020

Poesia nos meus olhos.




Pássaros e flores; poesia de março.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Até ao fim dos dias.



Trouxeram-nos lenha para o inverno. Grossos pedaços de madeira seca com conversas de mulher robusta, que sem se cansar, falou dos fogos, dos vizinhos, das doenças e do maldito cancro que lhe arrancou um pedaço de mama. É uma desenvoltura na língua, no bracejar da carga que deixou, e um desembaraço nas ordens ao marido de poucas falas. Arrecadou o dinheiro e abalou tagarelando palavras que já não conseguimos entender. 
Deliberadamente a exaustão da sobrevivência onde se arrancam pedaços do corpo e do planeta até ao fim dos dias.


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Olhar as flores.


Regressamos de olhar esfalfado de tanto ver os sítios dos outros. Pedaços de mundo. São uma canseira, esses caminhos que escolhemos. Agora, na beira das escadas, serenamos a olhar as flores.

sábado, 9 de março de 2019

Março, belo.



Todos aguardamos esta beleza de março, repetições de memórias. 
Flores e preces numa quarentena florida, que a natureza não jejua. 
É a preparação, a festa do olhar, 
e o acréscimo de toda a beleza que virá também depois, 
com os frutos. 


Verdilhão (Carduelis chloris) 
e flor de Ameixeira








sábado, 22 de setembro de 2018

Casa




Casa - o lugar onde regressamos sempre. Descalçamos os sapatos e soltamos os ais de algumas canseiras. O verde relaxa. E hoje, por ser o dia de virar o calendário da estação, sendo já oficial o Outono, ainda que não parecendo, partilho este testemunho de flores e alfazemas tão cheias de Verão. As varandas e as merendinhas à sombra, este sol de casa.  


sábado, 8 de setembro de 2018

Conversas de Setembro




Dizem-me as tias:
- Parece tudo baralhado, pois que estranheza poderá haver se troveja em Setembro? Que estranheza haverá se são pequenas as maçãs do quintal; estas bem portuguesas - Casanova de Alcobaça - sumarentas e agridoces, e as nossas, até com bicho? Pois paciência! Trovoadas, maçãs e flores a expirar; estão no tempo certo. Aproveita este sol com brilho de pôr-do-sol, porque depois vai chover.

Fiz um arranjo de flores e arrumei as maçãs - fotografei, e depois choveu.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cá por casa.

 
Texto e fotografia,mz


A claridade deste mês é intermitente, um pisca-pisca de cores escuras e coloridas; semáforo de sol e chuva. Os melros entram em casa em voos malucos e fazem das árvores sala de visita depenicando laranjas sem se importarem das chuvadas. Os vasos estão cheiros de anémonas e tulipas variadas e, num canto do quintal, na terra molhada, as frésias floriram sobrevivendo às regas exageradas, ainda que gratuitas, do céu. Apanha-se tudo ainda em botão e fazem-se bouquets pequeninos e baixinhos que se colocam em latas de tomate pelado sem o rótulo, porque as jarras são altas demais. E como as amêndoas já estão em saldo, compram-se a metade do preço para continuar a adoçar Abril, as nossas bocas e as conversas sobre o regresso da guerra fria.



segunda-feira, 5 de março de 2018

Tão frescas, tão tenras.

Texto e fotografia,mz



São as flores do jardim. Um abrir tímido mas sem medo da chuva, tão frescas e tenras como quando tudo nasce. Talvez nos suscite um aspecto frágil nesta intempérie de Março.  Mas as cores, oh… as cores! Tão verde, tão rosa, tão vermelho, oh… as cores!