sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ser outro Ser


Se não fosse homem, digo que seria gaivota. Não teria pés, nem teria de contar euros para comprar botas no inverno. Estou certo que muito me agradariam as palmuras dos pés para calcar o mar e poder correr sobre as águas. Sem milagres. Andar lá, apenas porque o poderia fazer. Assim, de um modo atabalhoado, agitando asas e salpicando tudo mar afora. Se não fosse homem, volto a repetir; seria gaivota, e a par do impressionante caminhante aquático, o VOO SUPREMO. O abrir de asas e o silêncio do vento arrepiando desejos. Voar mais e mais até me doerem aqueles ossos ocos de ave frágil.


No meu  corpo de homem, um rasgo de cinza para acompanhar a cor de fundo, que no fundo do meu ser, teimo em dizer que todos temos um pouco deste tom de lua sem brilho e sonhos de ser muitas vezes, o impossível.
Mz
Fotografia: Terreiro do Paço 
Do blogue  de fotografia Diário de Lisboa



24 comentários:

Carolina Tavares disse...

Lindo! ¨...teimo em dizer que todos temos um pouco deste tom de lua sem brilho e sonhos de ser muitas vezes, o impossível.¨

Beijos

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Se não fosse homem seria sempre qualquer coisa....

Um texto agradável e com motivos de reflexão.

Votos de uma boa semana.

Isa Lisboa disse...

Uma boa reflexão! E uma boa escolha, o ser gaivota!

Beijo

Diário de Lisboa disse...

Muito bonito o texto, como sempre. É um orgulho participar neste projecto.
bjs.

Mz disse...

Carolina, como diria Rui Veloso na canção - Lado Lunar - " ... nem eu nem tu fugimos à regra..."

Obrigada,
Beijos

Mz disse...

L.R.C.C.
qualquer coisa para mim teria de ser especial...

Votos retribuídos!

Mz disse...

Diário de Lisboa,
eu é que agradeço a liberdade que me dá de poder escrever a partir da sua sensibilidade de fotógrafo.

As fotografias das gaivotas estão soberbas!

Obrigada.
Bjs

Mz disse...

Isa, Lisboa
eu também acho :)

Beijo

Lilá(s) disse...

Também queria ser gaivota! que tal voar na mesma área? seriamos amigas hem!
Brinquei com a ideia mas, digo-te que o texto está um espanto!
Bjs

manuela baptista disse...

todos temos um pouco desse tom

e aluados somos, quilha de gaivota a desejar o impossível


muito bonito o teu outro Ser, Mz!

um abraço

Mz disse...

Lilás, poderíamos voar juntas, com muito gosto!

Aviso já que não gosto de lixeiras, e adoro peixe fresco :)

Bjs

Mz disse...

Manuela,
o cinzento, é de facto um tom que arranca de mim as mais profundas reflexões. É mais forte do que eu.

Obrigada,
um abraço para si também.

a vida em toda a dimensão disse...

As gaivotas fazem parte de Lisboa,
sem elas o Terreiro do Paço não
seria o mesmo. Elas estão cada vez
mais se transformando e aproximando
do ser humano...parecem carentes de
sair da água e estarem em terra.
Que os seres humanos não lhes façam
mal e elas tenham cada vez mais
confiança na aproximação.
Saudações
Irene Alves

Mary Brown disse...

MZ excelente e a última frase deixa qualquer um sem palavras. Beijinhos

Mz disse...

Irene Alves,
nem o Terreiro do Paço, nem o mar, nem o céu, nem nós... Elas fazem parte do quadro natural da nossa vida.



Mz disse...

Mary Brown, o impossível deixa sempre qualquer um sem palavras, bolas!

Beijinhos :)))

Mariavaicomasoutras disse...

Li o texto e recordo-me do tempo em que te conheci nestes meios, da tua admiração pelo mar e pela universalidade que o mesmo nos transmite...o som das ondas, o esvoaçar das gaivotas e termino dizendo que se não fosse gaivota ...só podia ser homem!

Um grande beijo(que não te dou faz muito tempo)e continuas a ser uma bloguista para admirar***

Mz disse...

Mariavaicomasoutras,
a admiração pelo mar continua, será para sempre.
Não poderei deixar de admirar vocês, os leitores que ainda me lêm ao fim de tanto tempo.É gratificante. Obrigada.

João Roque disse...

É pena eu ser averso a pássaros: então a gaivotas...

Mz disse...

Eu já sabia que iria ter um comentário do género. Lembrei-me de ti e da tua fobia a penas!!!
De regresso?
Bj**

Mary Brown disse...

MZ este teu post deixou-me baralhada. Se não fosse homem...Estou certo...Estava eu convencida que eras mulher. Beijinhos

Mz disse...

Em tom de poesia é a oportunidade de poder ser o que quizer... mulher, homem, ave, vento, pó ou nada...

xx

paranoiasnfm disse...

Bonito!

Mz disse...

Só para pessoas sensíveis!