terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Primeira cena de dezembro





Do lado de fora da montra, o tio vestido de preto vai fumando os pregos do caixão. E enquanto a aragem fria do início da noite lhe dá chicotadas nas pernas, olha para o desfile de sapatos da loja nova que a nossa amiga abriu hoje. É festa, e entre bandejas de petits fours e flutes de espumante, o som do trompete dourado vai lançando notas elegantes no meio do burburinho de conversas. Quando me vê, acena-me com um sorriso comprometido pedindo desculpa num encolher de ombros. Maldito cigarro!


mz





fotografia do blogue, Diário de Lisboa

7 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bonito texto, maldito cigarro.
Acontece todos os dias, meses e em todas as datas.
O homem degrada-se e mão vê como soltar-se destes grilhões.

Isabel Pires disse...

"O som do trompete dourado", como gostaria de ter ouvido.
Beijo, mz.

Miss Smile disse...

O cigarro pode não combinar com saúde, mas combina com o trompete dourado :)

Mar Arável disse...

Que triste morrer saudável

Bj

Maria Eu disse...

Às vezes, o cigarro é bendito... :)

Beijos, mz. :)

Agostinho disse...

O cigarro, a carne, o chocolate, o café, os doces, a bebida ... que bela carpintaria!
Depois a praga dos parquimetros, taxas, impostos, televisão, publicidade, ... e natal, quando o que nós precisamos é de NATAL.
Bj.

Parapeito disse...

belo texto...gosto do som do trompete...até dá pra desculpar o cigarro.
Brisas doces *