sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Aterrei...




Aterrei na areia aos saltinhos como um animal coquete com cócegas nos pés. E tal como eu, também outros saltam sem jeito no areal até se colocarem a salvo daquele chão aceso. Aqui, existe um zumbido de colmeia que não devia estar. São as conversas na areia que zunem soltas em diferentes línguas e, quanto mais o sol queima, maior se torna esta espécie de enxame. Abrem-se guarda sóis que giram aos gomos quando o vento quer. Repousam nas cores das toalhas mais ossos e mais carnes à vista de todos. Solta-se por vezes uma brisa e, mesmo ao meu lado,  o tropical coco comprimido no frasco quando se besuntam os corpos. Se o vento mudasse de rumo...
-  É isso!
Quanto mais distantes forem as conversas maior afinação têm as ondas.
- É essa cadência do gigante azul que eu quero. É esse ir e vir desmaiando transparente de tanto correr areia fora.



Mz
Imagem: Isabel Galery Aqui






16 comentários:

Rui Pascoal disse...

Pela descrição era suposto haver mel por aí.
:)

A ondulação e o vento transformados em música - Saudação ao Sol, Zadar, Croácia.

http://tintacompinta.blogspot.pt/2011/08/zadar.html

Mz disse...

Ah pois devia!

Daqui Lisboa, saudações onde quer que esteja.

Marisete Zanon disse...

" É esse ir e vir desmaiando transparente..." Pura poesia. Lindo!
Obrigada pela visita e comentário no Confisionarium. Um ótimo domingo pra ti! Um carinhoso abraço.

Rita Norte disse...

Acho este perfeito desde a imagem até à última palavra. Adoro a forma como transforma momentos em palavras.
Fiquei rendida, já sigo o blog ;)

Mz disse...

Marisete Zanon, o mar é muito, mas muito inspirador!

Boa semana, abç

Mz disse...

Rita Norte,
:)

Obrigada, irei visitar-te em breve.

Mariavaicomasoutras disse...

Há mar e mar , há ir e não voltar...
Bjo*

Rafeiro Perfumado disse...

Voltaste a ir passar férias para o Algarve, estou a ver...

Mz disse...

Mariavaicomasoutras
ou então... quem não está bem muda-se ;)

Bjs

Mz disse...

Rafeiro Perfumado,
em Agosto é óptimo!

Lilá(s) disse...

É por isso que procuro sempre um local o mais distante possível de tudo que é humano, ando uns bons metros, e pronto lá estou eu quase a sós com o meu mar...
Bjs

migalhas disse...

ola vi seu comentário num outro blog, e decidi vir visitar o seu blog.. ta muito bom.. vc aceita o convite de vir visitar o meu=?? ler os meus poemas por favor?? HTTp://assombrado-mc.blogspot.com

Mz disse...

Lilás,
sim, ainda se consegue algum sossego :)

bjs

Mz disse...

migalhas,
passarei por lá sim, claro.

O Profeta disse...

Tão triste nasceu hoje o Verão
Tão agreste sopra este colérico vento
Tão molhada está esta verde terra
Tão cinza está um coração em desalento

Mentem os que disserem que perdi a Lua
Os que profetizaram o meu futuro de luz
Mentem os que acharam que não me visto de sentimento
Os que acham que apenas a mentira seduz

Acolhi no olhar todas as coléricas vagas que alcancei
Abracei uma roseira e senti o golpe dos espinhos
Senti o aroma errante das hortênsias
Numa viagem por sete caminhos

Bom fim de semana

Doce beijo

Mz disse...

Que poema tão triste em dias de Verão.

Obrigada por partilhar.