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terça-feira, 25 de maio de 2021

Adormeci na sementeira.





Se me perdi nestas flores, perdoa-me. Adormeci na sementeira de uma terra negra que pariu tanta cor. Enamoraram-se os meus olhos por pétalas roxas e os meus cabelos enredaram-se selvagens, uma quase dor, como um sol que queima até ao dia em que choveu e regressei com as mãos ásperas cheias de campo.


(clicar na fotografia para melhor imagem)

segunda-feira, 22 de março de 2021

A minha primavera.

 





A minha primavera tem cor da luz,

Um branco com uma pontinha de sol.

Um amarelo suave que os pássaros trazem na ponta do bico.

A minha primavera, tem a cor da luz e das primeiras flores.


(clicar nas fotografias para melhor imagem)

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Conversas de Maio e filmes do tempo.



Falámos da monotonia de um céu azul liso, e de como as nuvens acabam por nos agitar o modo de olhar o dia.  
Uma chuvinha miúda e um vento jeitoso que abana tudo o que é razoavelmente leve e frágil, provoca-nos. É um fervilhar no corpo, um frenesim que nos arrasta para fora de casa. E neste arrastar, uma fita de cinema de cenas verdes em cartaz, com entrada livre para todas as idades. Em intervalos aleatórios, bebe-se água da chuva em gota.


quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril - 45 anos de Liberdade



Ergo o meu cravo,
porque sou
 da liberdade
que outros conquistaram.

Obrigada.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Fico nesta luz




Escrevo nesta luz, a caneta a falhar-me no papel, e na chatice, solto palavras brutas. As coisas a falharem-me quando necessito. E depois o arrependimento, porque aqui sinto paz. O coração acalma. Fico a olhar, as glicínias, serpentinas roxas a soltarem-se nas festas do Senhor - na morte, na paixão - e não sei o que dizer neste tempo sério, e de riso. Fico nesta luz, apenas.


Para todos, uma Páscoa de reflexão, 
de encontros reconciliadores
 e de paz.




quinta-feira, 4 de abril de 2019

Azálea rosa e uma prosa com chuva.



Que caia a chuva e me molhe a blusa de folhos.
 Me cinja a seda ao corpo, 
e no meu peito, exposto, se misturem todos os rosas. 
Que caia a chuva, e me leve o engomado, esse aprumado estar apropriado. 
Que caia a chuva, e me desalinhe sem pecado.





quarta-feira, 27 de março de 2019

A vida fica mais leve.




E pregam-se-me os olhos a tabiques românticos, um parecer poético de tentar fazer das flores,
as rendas mais leves e macias. 
Transformar as sombras que me maceram, numa trama delicada a todos os musgos do meu corpo.
A vida fica mais leve,
se o meu espelho ficar por estas rosas.




sexta-feira, 15 de junho de 2018

Voar com as asas de Andorinha

Texto e fotografia,mz




Aguardávamos ansiosos num desassossego triste, numa inquietação irremediavelmente cinzenta, confusão que complica a vida, que baralha a esperança - controversa Primavera - são proibidos sonhos escondidos e biombos misteriosos na alma; aguardávamos esta Primavera, esta do chilrear ao sol. Abrimos agora o peito, e na seda de um robe exótico, deslizam suaves os voos das andorinhas.

Andorinha-das-chaminés,
(hirundo rustica)

domingo, 6 de maio de 2018

Chapim-azul

Texto e fotografia,mz



Hoje, o meu primeiro Chapim-azul é para lembrar as tias. Alegres como estas cores, de olhares vivos, peito farto e vaidosas nos colares.
Neste dia quente e a idade adiantada, o frenesim balança entre uma sesta, e a sesta ganha. O Chapim é para as tias pelos riscos em papel de seda que era de pássaros e flores no linho dos lençóis e das toalhas bordadas. A paciência da minúcia das laçadas, os contornos e os cheios, os nozinhos e o matiz, e as cores suaves para que lhes embalassem os sonhos da noite, quiçá.
Queridas tias, tantas horas, tanta paixão nesta arte dos enxovais. O direito e o avesso na perfeição e num instante, o virar de um copo de vinho nas toalhas e os suores nas almofadas. O amor real a sujar esta arte, como assim deve de ser, pois então!


a rondar a ameixeira do quintal.