quinta-feira, 1 de julho de 2021

Uma espiã de momentos.

 




Que o sol me ilumine com a suavidade certa, e eu fico horas por aqui. Que a lua me ensine a ser paciente até que nasça outro dia e me vista de intrusa. Sem culpa. Sou uma espiã de momentos.


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terça-feira, 25 de maio de 2021

Adormeci na sementeira.





Se me perdi nestas flores, perdoa-me. Adormeci na sementeira de uma terra negra que pariu tanta cor. Enamoraram-se os meus olhos por pétalas roxas e os meus cabelos enredaram-se selvagens, uma quase dor, como um sol que queima até ao dia em que choveu e regressei com as mãos ásperas cheias de campo.


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quarta-feira, 14 de abril de 2021

12 anos de Blogue.


As gaiolas que tinha dentro de casa, pendurei-as nas árvores. São decorativas. Os pássaros entram e saem em liberdade e nós observamos. Observamos e olhamos a leveza, a destreza dos voos e, conversamos sobre a ignorância que têm deste confinamento da humanidade; nossa casa, nosso cárcere.

Dois aniversários em confinamento social e, a fotografia escolhida para esta reflexão. A todos, muito obrigada. Eu, Afetos e Dúvidas continuarei por cá.


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segunda-feira, 22 de março de 2021

A minha primavera.

 





A minha primavera tem cor da luz,

Um branco com uma pontinha de sol.

Um amarelo suave que os pássaros trazem na ponta do bico.

A minha primavera, tem a cor da luz e das primeiras flores.


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quinta-feira, 18 de março de 2021

Conversas ao postigo.

 


Com os sorrisos escondidos em máscaras de pintinhas, plissam os olhos de alegria e oferecem-me alfazema. Contam-me as tias. As minhas tias confinadas. Contam-me que acariciam vezes sem conta os gatinhos que lhes sobem para o colo. A calçada da entrada, já tem rasto de chinelo, uma estradinha arada de passos cansados, como as batidas do coração. Dizem ter os sapatos de saltinho, guardados em bolsas de pano cru, por causa dos bolores. Enfeitam os cabelos com os rolos antigos, cor-de-rosa e, em cada onda que lhes fica, navegam as memórias e estas conversas ao postigo. 


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domingo, 7 de março de 2021

Flores e pássaros.

 






 Trazem o vento nas asas e, um desejo de água doce. 
Namoram flores com vestidos cor de rosa e deixam segredos de março; poesia.


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segunda-feira, 1 de março de 2021

Tulipas do quintal.

 





Gosto de vasos no quintal e de bolbos escondidos na terra para depois ver esta explosão de março. Outras flores virão, assim como os pássaros…

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sábado, 27 de fevereiro de 2021

Quando os caminhos se fazem rios.

 

Quando os caminhos se fazem-se rios, anda a terra grávida de água do céu. Abraça-se esta água com a terra, para dar à luz os barcos pequeninos onde cabe apenas um só homem. Quando os caminhos se fazem rios, afogam-se as pedras, os musgos e as ervas num sepulcro profundo, até ser primavera.


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Birdwatching em casa.




Montamos um cenário ao nosso gosto, obrigatoriamente com água, frutas e sementes.  Mesmo com muita chuva, eles, os passarinhos aparecem. 

O Chapim-azul informação aqui  é dos mais destemidos e, adora maçãs.

A partir de hoje, vou partilhar a variedade de espécies que passam pelo meu quintal com cenários feitos com flores da época e, outros acessórios. 

Espero que gostem.

Beijinhos e bom confinamento. 

Cuidem-se bem!

 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Birdwatching, Chapim-azul.

 





A máscara facial mais fofinha em dia de Carnaval.

Chapim-azul (Cyanistes ceruleus)  informação sobre a espécie aqui


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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Chapim-azul em dia de namorados.

 


O meu amor tem um segredo; fala sozinho com Deus. Rezas pianinhas. Angelicais. Não sei como se entendem os dois - diz-me apenas que o sente, sem me poder contar mais. Envia-me cupidos com asas cor de mar, onde navegam seus ais. No coração, um relicário, uma caixinha de beijos seus - um sol no peito e, um bem querer todos reais.


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O Absurdo namoro à janela.




Nas cidades, o namoro à janela regressou do passado. 
Voltou para namorar as ruas, as poucas pessoas que passam e, os automóveis enquanto é dia. O absurdo namoro dos confinados que espreitam as ambulâncias da noite - rasto de luz azul como céu de morte. As insónias, e o paradoxo inocente da bisbilhotice do medo. 

Um namoro impaciente que torna as noites mais longas de sempre num silêncio de paz roubada. Então, alguém canta um fado, ou uma canção da moda. O som de um piano, uma guitarra, um acordeão, um saxofone, uma pandeireta e, faz-se um baile à janela. Soa na noite um coro de alegria em tempo desafinado.



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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Pequenas joias.

 



Margaridas Africanas e Cavalinha - disse eu ao rapaz que gostava de flores. Calou-se. Um silêncio amuado e confuso, com olhos presos ao chão. Retornou curioso de sobrolho franzido questionando-me:

-Porque me mente se o que vejo, não me parecem flores?

- Então, e se te disser que elas nascem como pequenas joias, acreditas? Perguntei com voz sussurrante, como se o fizesse para quem acaba de acordar.

- Sim mm! - Disse o rapaz arrastando a afirmação, prolongando a sonoridade como se fizesse eco e, se tornasse bumerangue. Agitado de entusiasmo próprio de criança, prometeu que as guardaria no seu cofre de memórias. Deixou para trás a carranca e o amuo, e foi fotografar as flores com o olhar.


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A floresta perto de casa.

 






  Ter a floresta perto de casa e, a sorte de poder oxigenar o cérebro.
Terapia sem preço em tempo de confinamento social.


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Da terra molhada.

 


Oferecem-me cestos cheios das suas vidas, a cada intervalo das chuvas sempre que entram e saem dos quintais. Num desembaraço de morte rápida, arrancam hortaliças da terra molhada e, dizem sentir as mãos frias, como um coração morto. Das suas vozes abafadas pelas máscaras sociais, saem as dores do mundo nestes murmúrios de mulheres da aldeia.


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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Flores de inverno.





Quando escrevo as primeiras páginas da década, as flores estão cobertas deste janeiro branco. Lá, no jardim sempre que é inverno, encontro-as como um arrumo de gavetas cheias daquelas flores feitas de uma espécie de veludo. A macieza e a doçura como um pó de amor que só temos nos jardins das nossas mães. O trato como se fossem filhos e, o início de um livro com o frio conhecido no tempo certo. 

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Primeiros dias do ano, 21.

 



Regresso com este abraço de palavras que escrevo com o olhar diário das fotografias. Com os passos a estalar o chão vidrino, andei nas geadas brancas dos dias primeiros do ano. A sinopse da esperança, tem esta cor de geada branca e, no entanto, sinto um fogo na alma que contraria o frio de inverno. A beleza do branco. A beleza do branco, concentra a projeção da calma, do novo, do sem mácula. A ilusão de um aconchego em lã de merino e, um querer adormecer na alvura que apaga o ruído inquietante das coisas que temo.

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Neste regresso ao confinamento social, deixo ânimo e esperança para todos e, que o ano 21, ilumine o nosso livre arbítrio.