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sábado, 9 de março de 2019

Março, belo.



Todos aguardamos esta beleza de março, repetições de memórias. 
Flores e preces numa quarentena florida, que a natureza não jejua. 
É a preparação, a festa do olhar, 
e o acréscimo de toda a beleza que virá também depois, 
com os frutos. 


Verdilhão (Carduelis chloris) 
e flor de Ameixeira








sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Super Lua de Fevereiro 2019




E lá fomos nós fotografar a Super Lua Cheia de fevereiro. 
Aquela excitante expectativa de um nascer colossal e ardente lua; são segundos com o olhar em brasa num cenário negro de noite na montanha. Depois, o melhor de tudo para quem fotografa, é a paisagem envolvente. É fazer a ponte entre o céu e a terra.

Trouxe-vos a lua e as energias de vento - a ciência. 
Trouxe-vos a lua e um rendilhado de sobreiro - o romantismo.
Trouxe-vos a lua - o mistério

Trouxe-vos a 'minha' super lua cheia de Fevereiro. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Parece-me tudo, eletrizante.



Aqui, se existe poesia, é a realidade brutal da natureza, e uma inquestionável inteligência humana. Não existe romantismo nestes pores-do-sol, contudo, não deixam de ser arrebatadores. Este cair da tarde, quando as sombras voltam a ser longas e a vontade de recolher, ou de olhar a deslumbrante queda da estrela, parece-me acima de tudo, eletrizante.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Um vazio cheio de tanto.



A dormência das aves é aparente; um estalido, e a confusão de asas é uma explosão de pipoca branca. É o voo para outro poiso. Depois, o regresso do ilusório silêncio. A água, tem um canto de murmúrio, um fru-fru de véu de céu, e um parecer de que tudo desliza sem esforço. Logo, logo, o sol acenderá toda a vida na lagoa, e este vazio cheio de tanto.


Garça-boieira (bubulcus íbis)





domingo, 3 de fevereiro de 2019

Padrões da floresta



Cada um, aos seus olhos, cria enredos e crónicas com os padrões da floresta. Entrelaçados - folhas, troncos, e estas extraordinárias cores de inverno; é como ficar envolto num emaranhado e inventar um arvoredo que nos engole e mastiga o imaginário. 


Floresta que acompanha o Vale Glaciar do Rio Zêzere - Serra da Estrela


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Birdwatching (4)




As mãos geladas, depois da madrugada, e um vento fantasma que nos rouba os chapéus. Agachamo-nos, para que esse sopro não nos vire, espantalhos. Queremos que os pássaros pousem, porque já se ouvem melodias. O abrigo, a espera, e depois acontece. 

Ninguém diz que é inverno, com este azul, e as cabriolas do Chapim. 


Chapim-azul (Cyanistes caeruleus), Birdwatching, 29 de dezembro 2018 - 09:14 am


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Obrigada.



No vórtice das festas, dos afagos, das mesas fartas, veio o inverno e o janeiro com ele. E eu, atrasada, nestes dias últimos e primeiros. Um regresso com atraso, porque me fugiram para outros lados, as conversas. Atrasada, também na gentileza do agradecimento. Aqui. Aqui, onde nos encontramos a partilhar palavras. Honro-vos com esta imagem de árvore viva, aos nossos olhos, esta frescura cítrica – uma dádiva - acreditar na renovação do tempo. Foi para mim primeiro, e agora, é para todos vós, este presente!  Serão outras folhas; as folhas brancas do novo ano que iremos preencher juntos. Obrigada.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Assim vai o Natal.



Não é por mal o "nascer" que o homem quer; as luzes e os brilhos da cidade, um bocadinho de felicidade, a alegria. A fantasia de se ser. O ter, inevitável - um pequeno aconchego do excesso, e o Menino, usado, chutado, esquecido. Sempre um turbilhão de gente, na quadra do Menino. Haverá também, a lembrança, esse despertar do propósito, o querer de uma Luz que aquece os corações. 
E assim é Natal. 
Assim vai o Natal.




terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Antes que chegue o Inverno.





Agarra-se o Outono às cores fortes, 
aos laranjas dos pássaros
 e dos frutos. 
Dos chãos surpreendentes. 
É todo um brotar colorido, 
antes que chegue o inverno. 




quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A tranquilidade de um minuto.



Dias em que as águas sobem a correr na pressa de abraçar as árvores velhas, limpando passos, quiçá os meus. Fugazes momentos dos espelhos, a luz de cenário idílico. Mérito do primeiro sol que transforma o frio no ameno, e o escuro num olhar áureo. É o ´locus amoenus´ de um minuto. Com sorte, uma Garça* em terra, e o bucólico acentua-se como paisagem absoluta.

*Garça-branca-pequena (Egretta garzetta)






terça-feira, 6 de novembro de 2018

Novembro.



Fechar a porta de casa e ir para lá da última estrada. Deixar o asfalto, pisar o chão de terra, pisar as lamas e atolar o coração nos afetos da chuva e da pouca luz que têm estes dias de novembro. Folhear a floresta e fundir o olhar com a tecnologia - trazer para casa fotografias como ilustrações vivas; brutas e mágicas visões. Beleza e perigo. Belo e feio. Doce e veneno. A vida e a morte. Afinal, assim são também quase todos os contos para crianças e abrem-se-lhes os sonhos e as dúvidas.







quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Momentos de outono na floresta



Manhãs pálidas de brumas finas, sem podermos ver a nitidez das coisas. Contornos de aparências sublimes, e até de encantamento, ou então, a nitidez dos verdes frescos e orvalhados, tenros e primeiros. Também tardes de sol, e chãos de rosa urze, a fazer lembrar um agasalho - o conforto. Um sol de outono com um poder enorme de dourar, não de envelhecer.


domingo, 7 de outubro de 2018

Fora do sítio.




De vez em quando, tudo sai do lugar habitual, e não falo de uma toalha no chão, da casa desarrumada, ou de um laço que se desapertou. É este mar calmo, quando o mar é norte e bravo. É este azul tão limpo, como se fosse Verão. Sair da terra onde as folhas já caem, e olhar um chão diferente. É este tempo, este Outono atrasado, fora do sítio.






sábado, 22 de setembro de 2018

Casa




Casa - o lugar onde regressamos sempre. Descalçamos os sapatos e soltamos os ais de algumas canseiras. O verde relaxa. E hoje, por ser o dia de virar o calendário da estação, sendo já oficial o Outono, ainda que não parecendo, partilho este testemunho de flores e alfazemas tão cheias de Verão. As varandas e as merendinhas à sombra, este sol de casa.