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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Primeiros dias do ano, 21.

 



Regresso com este abraço de palavras que escrevo com o olhar diário das fotografias. Com os passos a estalar o chão vidrino, andei nas geadas brancas dos dias primeiros do ano. A sinopse da esperança, tem esta cor de geada branca e, no entanto, sinto um fogo na alma que contraria o frio de inverno. A beleza do branco. A beleza do branco, concentra a projeção da calma, do novo, do sem mácula. A ilusão de um aconchego em lã de merino e, um querer adormecer na alvura que apaga o ruído inquietante das coisas que temo.

(clica nas fotografias para melhor imagem)


Neste regresso ao confinamento social, deixo ânimo e esperança para todos e, que o ano 21, ilumine o nosso livre arbítrio.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Birwatching, (8) Inverno.


Quando o tema são aves, a observação pode até ocorrer sem sairmos de casa. As grinaldas de Natal foram recicladas e penduradas nas árvores do quintal onde vamos colocando fruta, pois este tempo de inverno é escasso de alimento para os passarinhos. E desta forma, nem sempre tão natural da vida selvagem, eles vão chegando em dias de sol e de chuva.


Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla) fêmea
*as fêmeas têm o barrete ruivo, nesta diferença só os machos têm o barrete preto aqui
Pardal-comum (Passer domesticus) (macho)
Chapim-azul (cyanistes caeruleus)



quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Aguarelas de inverno



Vestem-se assim,
 - as árvores -
 um sopro de pó, uma transparência colorida na dureza do inverno. 
Corajosas, 
agarradas à terra abrem os braços aos pássaros enquanto esperam os rebentos
 .seus.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Já vejo Papoilas no campo.




Já vejo papoilas no campo.

Um corridinho frenético, em chão de terra antiga.
Têm saias de minhotas, vermelhas e franzidas.
E rodam e rodam,
Como se o vento, lhes ensinasse o Vira.
Já vejo papoilas no campo.
Caules de Verde-gaio,
Encostados a muros velhos,
Eretos, livres, rebeldes.
Já vejo papoilas no campo,
Um alegre baloiçar.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Super Lua de Fevereiro 2019




E lá fomos nós fotografar a Super Lua Cheia de fevereiro. 
Aquela excitante expectativa de um nascer colossal e ardente lua; são segundos com o olhar em brasa num cenário negro de noite na montanha. Depois, o melhor de tudo para quem fotografa, é a paisagem envolvente. É fazer a ponte entre o céu e a terra.

Trouxe-vos a lua e as energias de vento - a ciência. 
Trouxe-vos a lua e um rendilhado de sobreiro - o romantismo.
Trouxe-vos a lua - o mistério

Trouxe-vos a 'minha' super lua cheia de Fevereiro. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Um vazio cheio de tanto.



A dormência das aves é aparente; um estalido, e a confusão de asas é uma explosão de pipoca branca. É o voo para outro poiso. Depois, o regresso do ilusório silêncio. A água, tem um canto de murmúrio, um fru-fru de véu de céu, e um parecer de que tudo desliza sem esforço. Logo, logo, o sol acenderá toda a vida na lagoa, e este vazio cheio de tanto.


Garça-boieira (bubulcus íbis)





domingo, 3 de fevereiro de 2019

Padrões da floresta



Cada um, aos seus olhos, cria enredos e crónicas com os padrões da floresta. Entrelaçados - folhas, troncos, e estas extraordinárias cores de inverno; é como ficar envolto num emaranhado e inventar um arvoredo que nos engole e mastiga o imaginário. 


Floresta que acompanha o Vale Glaciar do Rio Zêzere - Serra da Estrela


sábado, 17 de março de 2018

Garça em espelho de água.

Texto e fotografia,mz



O dia fez caretas. Fez vento e calmaria. Fez sol, fez sombra, foi liso de cor e amarfanhado de nuvens. Foi azul, foi cinza, choveu, chuviscou e deu tréguas. Sol e frio. Preto e branco. Lembra-me tranquilidade e desassossego, altivez e humildade, coragem e desânimo, convicção e dúvida. O mesmo dia, o mesmo espelho e a Garça sempre branca. Em nós, também há dias assim; soltamos o riso ou acabrunhamos.





quinta-feira, 15 de março de 2018

O regresso das Cegonhas.

Texto e fotografia,mz






É noite e escrevo com o xaile às costas. É fofinho e cinza rato, triangular e de franjas longas, por isso, digo sempre que é o meu xaile de velha; um abraço quente de lã e conchas felpudas que a tia carinhosamente tricotou. Eu e o xaile num aconchego de afectos sem nos cansarmos de escrever o campo, o vale e os arrozais inundados. Porque o rio transbordou, o som é vivo, a aragem fria. Um Março bipolar de tempo carrancudo e, de riso quando o sol se ilumina. Abriram-se portas às Cegonhas que não falham como promessa de Primavera, ainda que o tempo nos baralhe, a nós, somente a nós.
- Como se aguentarão as cegonhas lá no ninho tão alto e vento tão forte? - Pergunto eu, tomando os animais como as pessoas.
- És uma tonta rapariga, subestimas a natureza na sua adversidade! - Responde-me o xaile de velha, como se fosse gente, e, com as conchas felpudas de lã a correrem para a noite.