terça-feira, 19 de junho de 2018

Dizer adeus à Primavera.

Texto e fotografia,mz


Quando calçamos as botas altas, botas do campo, que afogueiam agora que o calor aperta, nunca há desconforto - apodera-se de nós uma aventura campestre, o desejo e a expectativa das surpresas simples e silvestres. Ainda existe lama nas poças junto ao rio, e os arrozais estão verdes, tenros como quem acaba de nascer. Diz a mãe, que em Abril, já saiu a cobra do covil, por isso, as botas altas têm de ser calçadas para se fazerem estes caminhos. De manhã cedo, fotografa-se com poesia no olhar; é o campo - as ervas altas a perderem o viço, as estações a segredarem que o Estio se aproxima e dizemos:

- Adeus papoila e pampilho-das-searas, até à próxima Primavera!



sexta-feira, 15 de junho de 2018

Voar com as asas de Andorinha

Texto e fotografia,mz




Aguardávamos ansiosos num desassossego triste, numa inquietação irremediavelmente cinzenta, confusão que complica a vida, que baralha a esperança - controversa Primavera - são proibidos sonhos escondidos e biombos misteriosos na alma; aguardávamos esta Primavera, esta do chilrear ao sol. Abrimos agora o peito, e na seda de um robe exótico, deslizam suaves os voos das andorinhas.

Andorinha-das-chaminés,
(hirundo rustica)

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tanta Asa nesse Voo.


Texto e fotografia,mz



Traçando o céu, um voo de bando livre
Airosas, rasgando o vento frio deste Junho,
Tanta asa, tanta asa nesse voo.

Serenas de peito branco, como brancas as espumas,
E na soltura da vaga, tanto mar, tanto frio deste Junho.
Tanta asa, tanta asa nesse voo.



No chão de areia, a macieza, o repouso,
Sobejo de sal como se fosse colo, como se fosse casa.
Desaparece assim, asinha, este frio mês de Junho.

Tanta asa, tanta asa nesse voo.