quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tanta Asa nesse Voo.


Texto e fotografia,mz



Traçando o céu, um voo de bando livre
Airosas, rasgando o vento frio deste Junho,
Tanta asa, tanta asa nesse voo.

Serenas de peito branco, como brancas as espumas,
E na soltura da vaga, tanto mar, tanto frio deste Junho.
Tanta asa, tanta asa nesse voo.



No chão de areia, a macieza, o repouso,
Sobejo de sal como se fosse colo, como se fosse casa.
Desaparece assim, asinha, este frio mês de Junho.

Tanta asa, tanta asa nesse voo.




quinta-feira, 31 de maio de 2018

Legados que não têm preço, são heranças de amor.

Texto e fotografia,mz



As mini rosas e a máquina fotográfica vintage que agora estão comigo, têm aqui o propósito das recordações. E na mala grande, álbuns com a vida lá dentro: a salinha de estar com a jarra de rosinhas salmão por cima do naperon de crochet e a tia com os rolos no cabelo e a lata de laca sunsilk a armarem-lhe o cabelo todos os dias. Os casamentos de mesas corridas, os bolos brancos de noiva de andares quase até à lua; como eram grossas as alianças! Viagens à europa de roulotte, as minissaias, e fatos de banho com copas de espuma. O pai a tirar fotografias às estrangeiras de biquíni. Outras, com as golas altas e as gangas, calças de boca-de-sino, as gravatas grossas e sapatos de plataforma. A guerra fria nas conversas e os  piqueniques de salada russa, o eterno abre latas para  as latas de pêssego em calda. As poses e os sorrisos, e os ares carrancudos sem hipótese de repetição. Os cliques da máquina fotográfica e as revelações.
A máquina não tem rolo há anos, mas as roseiras encostadas aos muros prometem testemunhar ainda, muitas memórias de Maio. É uma herança de amor.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Quando se revelam as cores dos pássaros.

Texto e fotografia,mz


Maio em exaltação quando se revelam as cores dos pássaros, a graça das poses e a delicadeza dos bicos que também aguilhoam. Um aguilhoar natural, sem as políticas do homem. São pássaros em sobrevivência. São pássaros. Como eles, apenas o seremos na poesia. São nossos bicos, as bocas que adoçam e que lançam o fel da guerra, nas palavras que delas saem. Somos homens, não somos pássaros.