Das árvores para o chão, do chão para o telhado e a promessa
ternurenta de mais um ninho; uma alegria contagiante, uma azáfama, um alarido,
um saltitar de pardais no chão do laranjal.
A claridade deste mês é intermitente, um pisca-pisca de
cores escuras e coloridas; semáforo de sol e chuva. Os melros entram em casa em
voos malucos e fazem das árvores sala de visita depenicando laranjas sem se
importarem das chuvadas. Os vasos estão cheiros de anémonas e tulipas variadas
e, num canto do quintal, na terra molhada, as frésias floriram sobrevivendo às
regas exageradas, ainda que gratuitas, do céu. Apanha-se tudo ainda em botão e fazem-se bouquets
pequeninos e baixinhos que se colocam em latas de tomate pelado sem o rótulo, porque
as jarras são altas demais. E como as amêndoas já estão em saldo, compram-se a metade
do preço para continuar a adoçar Abril, as nossas bocas e as conversas sobre o
regresso da guerra fria.