sábado, 17 de março de 2018

Garça em espelho de água.

Texto e fotografia,mz



O dia fez caretas. Fez vento e calmaria. Fez sol, fez sombra, foi liso de cor e amarfanhado de nuvens. Foi azul, foi cinza, choveu, chuviscou e deu tréguas. Sol e frio. Preto e branco. Lembra-me tranquilidade e desassossego, altivez e humildade, coragem e desânimo, convicção e dúvida. O mesmo dia, o mesmo espelho e a Garça sempre branca. Em nós, também há dias assim; soltamos o riso ou acabrunhamos.





quinta-feira, 15 de março de 2018

O regresso das Cegonhas.

Texto e fotografia,mz






É noite e escrevo com o xaile às costas. É fofinho e cinza rato, triangular e de franjas longas, por isso, digo sempre que é o meu xaile de velha; um abraço quente de lã e conchas felpudas que a tia carinhosamente tricotou. Eu e o xaile num aconchego de afectos sem nos cansarmos de escrever o campo, o vale e os arrozais inundados. Porque o rio transbordou, o som é vivo, a aragem fria. Um Março bipolar de tempo carrancudo e, de riso quando o sol se ilumina. Abriram-se portas às Cegonhas que não falham como promessa de Primavera, ainda que o tempo nos baralhe, a nós, somente a nós.
- Como se aguentarão as cegonhas lá no ninho tão alto e vento tão forte? - Pergunto eu, tomando os animais como as pessoas.
- És uma tonta rapariga, subestimas a natureza na sua adversidade! - Responde-me o xaile de velha, como se fosse gente, e, com as conchas felpudas de lã a correrem para a noite.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Árvores com flor de Corvos

 Texto e fotografia,mz



Este Março, Inverno de chuva, sol escondido e, o campo está assim. As árvores despidas deixam ver melhor os pássaros, e temos o vale como um desenho a carvão, a forma mais simples de fazer do desenho, arte. Atolamos as botas na lama, fotografamos a cores e, sai-nos esta tela limpa, aparentemente serena, não fossem os Corvos irrequietos e animados a enganarem o cenário. Esta cor fica-lhes bem, assim como as árvores despidas; é como se existissem árvores com flor de Corvos.