segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Pôr do Sol de Janeiro

Texto e fotografia,mz



Sou mais matinal, madrugadora diria eu. Como um caçador de imagens frescas acabadinhas de aparecerem, é quando gosto de fotografar, e vou à caça sempre que posso. Sou fã da primeira luz e não importa se o nevoeiro cai, ou se luz da manhã é fraquinha. Apenas os dias de chuva me prendem em casa. Ainda é Janeiro, ainda é Inverno e, os dias na sua natureza de estação fria, já nos surpreenderam com vários tons. Cinzas em dias completos e rosas nas primeiras horas da manhã, azuis, brancos e cores afogueadas; tão ardentes e depois quase negras como esta sequência quase teatral, que partilho hoje. Fantástica. Tenho quase certeza que este é o meu primeiro pôr-do-sol, aqui.  Valeu a pena ficar até ao fim e presenciar o drama desta despedida, presenciar e fantasiar que pintei o rosto ao Astro Rei, no ocaso em caso raro.



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Manhãs de nevoeiro.

Texto e fotografia,mz




Janeiro tem dias cinzentos como é suposto que seja. Não há nada a fazer. Na aldeia aceitam-se bem. O sol parece a lua, as árvores parecem mortas. A paisagem é sensorial; pode ser soturna, pode ser mágica, pode ser misteriosa, calma ou medonha. Os dias cinzentos são uma riqueza de ambiguidades. Estes dias desprovidos de cor são como um caderno a estrear, tudo é mais limpo, tudo é mais silêncio e a introspecção é mais profunda. Se tivermos a oportunidade de nos fundirmos com o nevoeiro, parece que o tempo deixa de existir. É uma sensação de calma extrema, o foco, é apenas o momento e passamos a gostar dos dias assim, porque também sabemos, que dias virão com todas as cores.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Neste silêncio da Serra

Texto e fotografia,mz






E se a terra nos treme, acorda-nos. Lembra-nos que somos dela, e seres tão pequeninos que somos, é tão grande a arrogância da inteligência que temos. Neste silêncio da Serra, lá no topo mais alto, congela-nos a soberba e ficamos rendidos. O branco é como se a paz congelasse, os silêncios ventos que cortam, e a paz, essa não existe efectivamente. É apenas branco gélido a declarar-nos guerra ao corpo. Se ainda o sol aparecesse como bandeira de tréguas, permaneceríamos mais um pouco, mesmo sabendo que este branco mortal se fingisse manso de beleza soalheira. E se depois a terra estremecesse brava, num segundo nos engoliria e adormeceríamos sendo dela para sempre.

Serra da Estrela, Portugal
e a lembrar do pequeno sismo a norte-nordeste de Arraiolos.