Texto e fotografia, Mz
Arregalaram os olhos quando à mesa chegou por minhas mãos o tradicional
pão-de-ló, receita delas, das tias, mas com uma decoração que nunca lhes tinha
passado pela cabeça. Ensinaram-me tudo; a amassar, a envolver e, entre outros
segredos, um dia falaram-me por alto, das pétalas de rosa cristalizadas que
eram guardadas para comer como rebuçados nos tempos de antigamente, quando nem
ainda se falava dos caramelos espanhóis. Esquecidas pelo tempo, exclamaram “ós”
de espanto ao verem as delicadeza adormecidas na memória. Depois, a Pavlova este
doce e delicado estrangeiro que andavam desejosas por provar, como se fosse um
rapaz namoradeiro nos tempos de juventude. Aliviaram a gula dos doces e do queijo
da serra com as frescas laranjas fatiadas em calda de açúcar e rum, sendo também
uma novidade, diziam ser muito chique. E porque também eu tenho sempre algo para lhes ensinar, levaram para
casa esta receita e as amêndoas na carteirinha de mão.
Afectos e dúvidas