segunda-feira, 17 de abril de 2017

Doces de Páscoa numa rivalidade entre as tias e eu.






Texto e fotografia, Mz


Arregalaram os olhos quando à mesa chegou por minhas mãos o tradicional pão-de-ló, receita delas, das tias, mas com uma decoração que nunca lhes tinha passado pela cabeça. Ensinaram-me tudo; a amassar, a envolver e, entre outros segredos, um dia falaram-me por alto, das pétalas de rosa cristalizadas que eram guardadas para comer como rebuçados nos tempos de antigamente, quando nem ainda se falava dos caramelos espanhóis. Esquecidas pelo tempo, exclamaram “ós” de espanto ao verem as delicadeza adormecidas na memória. Depois, a Pavlova este doce e delicado estrangeiro que andavam desejosas por provar, como se fosse um rapaz namoradeiro nos tempos de juventude. Aliviaram a gula dos doces e do queijo da serra com as frescas laranjas fatiadas em calda de açúcar e rum, sendo também uma novidade, diziam ser muito chique. E porque também eu tenho sempre algo para lhes ensinar, levaram para casa esta receita e as amêndoas na carteirinha de mão.
Afectos e dúvidas


domingo, 16 de abril de 2017

Flor de Marmeleiro e um bom domingo de Páscoa




Texto e fotografia, Mz


Dizem que este é, o Domingo de todos os domingos. 
Pois que se reinicie a esperança para quem acha que já não vale a pena um esforço que seja, para melhorar algo que, parece não ter volta. Que se cumpra uma espécie de ressurreição, em cada um de nós por todas as coisas que pensamos "mortas".

Um Viva à Vida!

Feliz Domingo de Páscoa




Afectos e dúvidas


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fé sem preconceitos e boa disposição





 Texto e fotografia, Mz


Um sapateado suave em sapatos de domingo, fizeram o som de acompanhamento às Hossanas da procissão. Corria uma aragem com aroma de alecrim nos ramos colhidos dos jardins e dos quintais, ou mesmo, das beiras da estrada, umas pontinhas de oliveira. Eu assim o fiz e fui com as tias, com a minha fé plena e assumida, sem vergonha, porque na sociedade de hoje, tudo passa pelo escrutínio do preconceito. De verdade, é mais fácil ser ateu, irreligioso, ou espiritualista. E neste contexto de opções válidas ao ser humano, assinto que me faz bem acreditar numa demanda constante do mistério, que é Deus. Neste aparte, continuo esta crónica contando-vos que, depois da missa, as tias, em todos os domingos possíveis, é quase obrigatório uma paragem no salão de chá, onde se combinam caminhadas, encontros semanais e, onde também se fala dos filhos, dos netos, almoços de domingo e anedotas. Na alegria do convívio deste Domingo de Ramos, as tias não sabiam onde colocar os raminhos benzidos, se no colo, ou no chão. E nesta atabalhoada indecisão, por debaixo da mesa tocavam-me os ramalhetes nas pernas provocando-me cócegas e risos.



Afectos e dúvidas